Cabecalho

20 agosto 2012

Caixinhas de Escovas: Novamente o motivo de dizer não (ácido glioxílico)


escovas caixinhas

Algumas semanas atrás escrevi sobre aquelas caixinhas de escovas que encontramos facilmente nas perfumarias e mesmo correndo o risco de ser chata, resolvi voltar nessa questão para colocar aqui mais uma vez o meu ponto de vista, já que na primeira postagem pode ter sido interpretado de uma forma diferente do que realmente quis dizer.


Não sou contra a pessoa mudar, acho mais do que necessário usar da tecnologia dos cosméticos para atingir o cabelo de seus sonhos, ou então pelo menos trazer mais praticidade para a sua rotina.


Mas sou contra a posição que diversas empresas possuem, aquela de diversas promessas e poucas informações de como realmente funcionam, por isso acho interessante saber os 2 lados da moeda antes de fazer a nossa escolha de aceitar ou não os riscos desses novos "ativos".


Infelizmente ainda não inventaram uma mágica que deixam os cabelos lisos sem comprometer a sua estrutura, mesmo como leiga que quer muito acreditar nisso, não sou levada pelas promessas porque se algo der errado quem vai tomar na cabeça (na verdade nos cabelos) sou eu.


Ontem passei na perfumaria e peguei 4 "caixinhas" dessas escovas, redutores de volume, defrisangens gradativas ou como quiserem chamar e deparei com o mesmo ativo na sua formulação.


O tal ácido glioxílico, então pesquisando um pouco para para falar sobre isso no blog encontrei diversas postagens da Carla do Eu Amo Cabelo, uma profissional que eu tiro o chapéu e confio plenamente.


Então baseadas nelas segui a minha linha de pensamento como leiga, para mostrar o porque sou contra e também colocar aqui de uma forma superficial como eles funcionam.


Um lado da moeda é simples as marcas prometem fios mais lisos, sem volume e com duração de até 3 meses, sendo que colocam que é compatível com todas as químicas anteriores.


Agora vamos analisar o outro lado, em primeiríssimo lugar se está certificado pela ANVISA posso confiar?


Não, o processo de liberação de registro pode ser feito até pela internet no portal do Ministério da Saúde, acreditem ou não leiam aqui com atenção.


Resumindo a marca informa a composição e registra como "tratamento" que é o tal grau 1 da classificação, usado para cosméticos simples como shampoos, máscaras e condicionadores.


Basta colocar todos os dados, pagar as taxas pertinentes e "prometer" que é isso mesmo.


Agora o grande problema, como esse tal ácido funciona?


O glioxílio ou chamado como ácido formilfórmico, quando entra em contato com o cabelo dilata a sua estrutura, abrindo as cutículas dos fios rompendo as pontes de enxofre (responsáveis pelo formato) então quando finalizado com escova+chapinha dá ao fio o efeito liso.



Ele altera a estrutura do fio, logo não é grau 1 e sim 2 (classificação dada a tinturas e alisamentos), sendo que essa passa por testes rigorosos que na prática não são feitos por essas empresas e graças a desburocratização chegam nas nossas mãos.


Vc confia então em um "tratamento" que a empresa sambou para não passar pelos testes?


Agora se vc é corajosa (o) e mesmo assim não liga para isso vamos a terceira parte, não é testado adequadamente e possui um efeito agressivo no fio, mas e a longo do prazo o que acontece quando uso?


Eu não sei e na verdade nem a empresa sabe responder isso, são ativos novos que substituem o famoso formol então como o seu emprego é recente, ninguém pode responder com garantia alguma.


Além disso, o resultado varia muito na concentração empregada, só que ninguém sabe ao certo qual foi (ou vcs já viram em alguma embalagem esse dado?).



Então somos cobaias, alguém quer aqui passar nos fios tantos produtos recheados de dúvidas mesmo com uma proposta tão tentadora?


Além de tudo isso enfrentamos um outro problema, alisamento precisa ser neutralizado para o produto parar de agir nos fios, esses kits possuem esse item?


Na grande maioria dos casos não, assim seria mais fácil o consumidor identificar o produto como alisamento e não com o nome inofensivo que foi dado, por isso depois de alguns meses o cabelo piora e ninguém sabe o que fazer.


Se a pessoa tiver sorte vai receber uma dica valiosa, as tais máscaras neutralizantes que são super baratinhas e funcionam bem nesse quesito, mas se a pessoa não saber disso problema dela no ponto de vista da marca que não se preocupa em dar esse dado.


Novamente vou recomendar outra leitura, dessa vez no post que a Carla fez sobre esse ácido no final contando suas experiências, mostrando como o cabelo fica frágil.


Vale a pena jogar um produto com um ativo recentemente empregado, sem nenhuma garantia, recheado de "jeitinho" para ser vendido, que danifica os fios só porque temos a falsa impressão que é inofensivo?


Minha opinião já ficou bem clara até aqui, acho que cada um precisa saber desse outro lado da moeda, não apenas o que a marca descreve.


No meu caso não, aliás já fui vítima dessas escovas de caixinhas e garanto que nunca mais utilizo, vcs nem imaginam o dano que causou no meu cabelo a longo prazo.


Mas como comentei no começo, cada cabelo é um cabelo, cada um tem um desejo diferente e cada marca emprega uma concentração, isso é só para quem está pensando colocar os 2 lados na balança antes de fazer algo para depois se arrepender.


Uma outra informação importante, se estiver na embalagem que é a carbocisteína que alisa, não acredite porque ela sozinha não alisa nada.


Está junto com outro ativo, que pode ser do "mal" como comentei no post, então abra o olho!


Esse post é apenas para essas caixinhas que encontramos no mercado, não comentei sobre escovas progressivas nele, mas vale lembrar que muitas possuem esse ácido como ativo tb.


Para saber mais como esse ácido e a carbocisteína funcionam recomendo a leitura desse outro post da Carla que se aprofunda no assunto.


Uma outra dica bacana é procurar o nome no google da caixinha desejada, o número de reclamações em sites como o reclame aqui é assustador!